Os Melhores Treinadores de Animais da História: Entrevista c/ Bob e Marian Bailey – Parte 2

Os Melhores Treinadores de Animais da História – Parte 2
Os Melhores Treinadores de Animais da História - Parte 2

Os Melhores Treinadores de Animais da História – Parte 2

 

Continuação da 1ª parte da Entrevista com Bob e Marian Bailey. Leia atentamente e faça bom proveito!  Traduzido do site da Drª  Sophia Yin pela Adestradora e Palestrante Thaís Rodrigues esta entrevista é um rico conteúdo para adestradores, passeadores, proprietários ou tutores de cães e animais de estimação, treinadores de animais em geral e amantes da ciência do comportamento.

Leia a entrevista completa, estude e compartilhe com seus amigos através do facebook e demais redes sociais! 

 

1- Bob, como você entrou no treinamento animal?

Bob: Eu estava na Universidade da Califórnia em Los Angeles. Eu era o cara dos peixes e dos répteis enquanto eu era estudante de graduação. Sempre fui interessado no comportamento e observação de animais. Eu estava particularmente interessado no que eles fazem para sobreviver. Assim, grande parte de sua sobrevivência depende de seu comportamento. Os animais não saem simplesmente absorvem sua comida por osmose. Eles saem e o obtêm seu alimento através de processos que envolvem comportamentos muito complexos. Eu sempre fui interessado em evolução e no fato de que o comportamento não deixa fósseis. Tudo o que podemos fazer é especular como o comportamento era, baseados no que sabemos das circunstâncias e a sobrevivência do animal. De qualquer maneira, eu comecei a pensar em maneiras de conduzir experimentos. O que eu poderia fazer para moldar este comportamento em particular? Será que esses animais podem fazer essas coisas? Eu tinha alguns cursos de psicologia, tinha ouvido falar de Skinner e eu tinha informação suficiente sobre onde eu poderia encontrar os livros que eu precisava.

2 – Que tipos de experiências você imaginou?

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Bob: Eu estava alimentando salamandras no laboratório e testei o efeito de colocar a comida em diferentes partes do aquário. Eu poderia condicionar as salamandras a irem a lugares diferentes no aquário? Por Deus, eu poderia. Elas aprenderam muito rapidamente. Quando eu entrava na sala, os animais se antecipavam e ìam para um canto particular. Bem, eu comecei a ficar mais sofisticado e movia uma planta pelo aquário e sempre alimentava onde a planta estivesse. Em breve eles íam sempre para onde a planta estava.  Foi aí que eu comecei a realmente ficar viciado. A primeira experiência real que eu fiz foi trabalhar com alguns dos peixes em piscinas de maré. Eu escolhi duas variedades de uma espécie que vinha em cores diferentes: um era um marrom avermelhado e o outro era verde com prata. Comecei a estudar primeiro nas piscinas de maré para ver em que tipo de plantas marinhas você pode encontrá-los. Foi estatisticamente significante em relação à cor da planta. Descobri que o peixe pode ser encontrado em plantas da mesma cor que a sua. Então eu me perguntei o que aconteceria se eu criasse um ambiente com uma matriz. Eu fiz quatro matrizes: branca, preta, verde e marrom. Eu tinha oito aquários e estudei a distribuição nos oito tanques. Fiz a matriz de cabides e algum material plástico como celofane. O plástico colorido foi cortado em tiras que pendiam verticalmente como plantas. Havia centenas de tiras por área. Cada dia observava com o uso de espelhos para ver onde os peixes foram e anotava o horário. Eu deixava-os dessa forma por dois dias e depois giráva-os a 90º ou 180º de acordo com um planejamento. O peixe se fixavam nas plantas da mesma cor. Mas eu não sabia nada sobre o controle de luz. Eu deveria ter usado iluminação amarela ou luz solar em vez de fluorescentes. Então, havia um monte de coisas que eu não sabia e não me preocupavam. Mas eu achei muito legal, porque eu poderia levá-los a se mover muito facilmente.

3 – Bob, como foi que você se envolveu com os Brelands?

Bob: Por volta de 1962, eu fui escolhido para ser diretor de treinamento da Marinha. Eu realmente não tinha muito conhecimento

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formal em treinamento de animais, no entanto uma das poucas coisas inteligentes [que a Marinha] fez foi contratar Keller e Marian Breland da ABE. Então eles apareceram com algumas galinhas e passamos uma boa quantidade de tempo aprendendo a treinar galinhas. E eu pensei que estava claro e comecei a aplicar isso para treinar golfinhos. Então nossos dois golfinhos morreram. Quando capturados eles estavam infestados de parasitas, e enquanto estávamos esperando receber novos golfinhos, fui para Hot Springs, Arkansas, e passei várias semanas lá. Lá fui apresentado ao que realmente era o comportamento animal. Isto é, mudança de comportamento. Na ABE eles mudavam o comportamento e um monte de comportamentos. Eles mudavam muito o comportamento em um curto espaço de tempo. Análise do comportamento era o nome do jogo e era assim que eles estavam chamando – análise de comportamento. E foi isso que eles me ensinaram a fazer.

Passei um pouco de tempo com Keller, no começo. Keller era expansivo, articulado. Ele realmente poderia articular essas coisas. Então eu passei o resto do tempo numa sala de treinamento automático. Fui apresentado ao monstro, uma aparelho que consistia em caixas organizadas em quatro fileiras e três colunas, em cada caixa havia uma galinha, e você tinha que treinar todas elas. Você moldava o comportamento de 12 galinhas de uma vez. Eu descobri o que era treinamento. Você começa com uma galinha. Isso é fácil.

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Duas galinhas fica interessante. Três galinhas fica mais interessante. Com quatro galinhas, a transpiração pinga. Em breve você começa a ser capaz de olhar e ver partes de comportamento saindo. Eu era razoável com seis galinhas. Essa é a maneira de aprender a treinar. E eu adorei. Ver as suas primeiras galinhas saindo da caixa e substituíndo-as por novas é ótimo. Passei muitos meses ao longo dos próximos três anos em Hot Springs.

 

 

 

4 – Quando a Marinha finalmente trouxe golfinhos saudáveis, ​​que tipo de missões eles treinaram?

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Bob: Para missões marítimas. Normalmente o golfinho era trazido com um helicóptero ou de um cercado no mar (eles não tinham barcos especiais na época). Às vezes, usávamos um barco de alta velocidade se estávamos com pressa, mas isso foi na década de 1960. É diferente hoje e o trabalho mudou, mas foi assim que começamos.

Tínhamos um grande cercado no mar que abrigava o golfinho, um barco que tínhamos de controlar, e um alvo. O cercado e o barco estavam cerca de dois a três quilômetros de distância e o alvo poderia ser há mais de dez quilômetros. O golfinho era guiado de forma errática, em vez de direto ao alvo, e chegava ao alvo bem no final. Então, em vez de nadar dez quilômetros, o golfinho acabava indo muito mais longe, o que significava que cada missão poderia durar até 12 horas. Eles passavam por algumas manobras terminais quando acertavam o alvo. Em seguida, eles eram guiados de volta para outro cercado. Eles usavam sistemas de rastreamento, a maioria dos quais ainda existem. Se os animais ou seres humanos fizessem alguma besteira, eles tinham locais alternativos e trabalhos para fazer. Eles não queriam perder o animal ou abortar a missão. Não havia outros golfinhos e cardumes de peixes no local, mas os golfinhos treinados tendem a não se distrair. Embora uma vez, quando estávamos trabalhando em Key West, um golfinho desapareceu. Ele pegou uma garoupa, voltou e a jogou dentro do barco.

5- Após a Marinha, você passou a trabalhar como assistente de pesquisa para ABE e, mais tarde, anos após Keller falecer, tornou-se gerente geral. Você pode me dizer o que fez a ABE diferente de outras empresas de treinamento animal?

Bob: Está bem nos estatutos da ABE que a empresa deveria mostrar que existe uma maneira melhor, uma maneira científica e tecnológica de treinamento de animais, e que não precisa usar punição. O esforço real era treinar os animais de uma forma humana, com menos aversivos, e utilizar as informações que saem do laboratório no campo. Isso estava bem nos estatutos. Assim, os Brelands fizeram isso. Quando eles começaram em 1943, acreditavam que esta tecnologia era muito mais poderosa do que os cientistas na época pensavam que fosse. E não só isso, seis meses depois que eles começaram a ABE, eles perceberam que a chave para a alta produtividade é o uso do reforçador secundário. Hoje chamam de clicker training e afins. Independentemente de como o reforçador secundário seja chamado, eles perceberam que o treinamento de precisão exigia um reforçador secundário de precisão. Então, entre todas as pessoas vivas na época, Skinner, e não obstante, os Brelands, foram os únicos a perceberem o impacto tecnológico dessa ferramenta, o reforçador secundário. E eles realmente construíram o seu negócio sobre o reforçador secundário.

6-  Já que você descobriu que o reforçador secundário é uma ferramenta tão poderosa, vocês são clicker trainers puristas?

Marian: Nós não somos clicker trainers puristas. Usamos o clicker quando é vantajoso, apropriado e quando usá-lo for melhor do que não usá-lo. Se você não sabe exatamente o que você quer e você está apenas à espera de que o cão faça alguns

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comportamentos, você faria muito melhor se apenas jogasse comida. Apenas reforce o cão. Mas se você deseja estabelecer precisão, se você tiver um ponto delicado no comportamento que você quer enfatizar, não há nada como o clicker. Se você é bom com o timing [sua precisão em clicar no momento certo], você pode clicar no preciso momento do comportamento que você quer. Não há nada como isso.

Bob: Nós lidamos com condicionamento operante. Eu uso o reforço positivo, eu uso o reforço negativo, eu uso punição positiva, e eu uso punição negativa. E a grande maioria de todos os nossos treinamentos tem sido com o reforço positivo. Somando a experiência de Marian e eu, provavelmente temos mais de 100 anos de experiência em treinamento. No decorrer disso, usamos punição positiva talvez uma dúzia de vezes. Então, nós estamos muito bem ao dizer que você não tem que usar punição positiva, exceto em situações incomuns e realmente extremas. E, certamente, em treinamento de animais de estimação, não há razão que eu possa ver para que você precise usar aversivos, ou, para treinamento de competições.

7-  Como vocês começaram a trabalhar com os “chicken camps” para o público?

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Bob: Nós começamos em 1997, em grande parte por causa de Terri Ryan, Karen Pryor e outros, que nos tiraram da aposentadoria e nos colocaram de volta nessa vida de treinamentos. Nós tivemos um monte de pedidos de seminários de treinamento com frangos e workshops.

 

8- Nesses workshops, o que vocês percebem como sendo os erros de treinamento mais freqüentes?

Bob: O erro número um é que os treinadores entregam os reforçadores atrasados ou o seu reforço é mal programado. O próximo erro é o critério – o que você estará reforçando. Uma vez reforçam uma coisa e na próxima vez reforçam outra coisa. Às vezes, isso é apenas má tomada de decisão e às vezes é apenas que as pessoas não reconhecem o comportamento. Eles não analisam o comportamento, então eles não sabem realmente o que é que querem reforçar. Eles só sabem como querem que o comportamento final seja. Em terceiro lugar, muitas pessoas são mesquinhas com a sua taxa de reforço. Além disso, os treinadores muitas vezes não controlam o ambiente e o animal torna-se distraído ou fica com medo.

9- Que encorajamento você daria a alguém que quer melhorar suas habilidades de treinamento?

Bob: O treinamento é uma habilidade mecânica. Se você está aplicando as técnicas adequadas e sua habilidade mecânica é boa, e você está seguindo o seu timing, critérios e taxa de reforço, você vai conseguir o que você quer.

 Conclusão

Então é isso, direto da boca de dois dos maiores treinadores de animais que já viveram. Eu só posso imaginar como foi acumular um grande conhecimento do treinamento de muitos animais e utilizando metodologia científica para a tomada de dados, análise dos resultados e, em seguida, fazer melhorias na metodologia rapidamente. Os resultados: a capacidade de treinar golfinhos para missões 08de 12 horas em mar aberto, levar seis semanas para treinar o que o melhor treinador levou mais de dois anos para conseguir, e a habilidade para treinar animais desde periquitos e pombos, a cães, porcos e leões-marinhos, usando para todos os mesmos princípios. Infelizmente, a maioria dos dados coletados na ABE foram queimados em um incêndio e o conhecimento de Bob não pode ser baixado em um computador. Por agora, eu e uma série de outros treinadores estamos tentando aprender o máximo que puder de Bob, já que nunca teremos a oportunidade de chegar perto do que Bob, Marian e Keller fizeram na ABE. E nós nos esforçamos para manter o treinamento como uma ciência, para que possamos continuar a melhorar.

Leia também a 1ª Parte desta Entrevista – Clique Aqui e confira!!

Entrevista concedida à Drª. Sophia Yin em 2000.

* Traduzido por Thaís Rodrigues dos Santos – Adestradora de Cães e Palestrante

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