Os Melhores Treinadores de Animais da História: Entrevista c/ Bob e Marian Bailey – Parte 1

  Os Melhores Treinadores de Animais da História

keller_marian_brelandSe você perguntar a alguém quem eles acham que é ou foi o melhor treinador de animais da história, terá muitas respostas diferentes. Alguns podem escolher um treinador de cães que viram na TV, ou um treinador de leões ou cavalos que viram em um show. Outros podem escolher um treinador que dá palestras e workshops em todo o mundo e com quem tem aprendido durante anos. A realidade é que, se estamos falando sobre golfinhos, porcos e papagaios para shows; cães, corvos e albatrozes para missões militares; ou leões, girafas ou elefantes em procedimentos de rotina em zoológicos, treinadores que conhecem a história do treinamento de animais concordam que  os melhores treinadores que já viveram foram Keller e Marian Breland – que durante 47 anos mantiveram a mais bem sucedida empresa de treinamento de animais que já existiu. Marian continuou com a empresa após a morte de seu primeiro marido, Keller. Ela casou-se com Bob Bailey e eles continuaram com sucesso a treinar animais. 

1- De Onde Eles Vêm? 

Marian e seu primeiro marido, Keller Breland, começaram como estudantes de graduação trabalhando para B. F. Skinner, o “pai” do condicionamento operante. Quando Skinner fechou temporariamente seu laboratório na universidade para trabalhar em um projeto militar durante a Segunda Guerra Mundial, Keller e Marian deixaram seus programas na faculdade para ajudá-lo. Durante os dois anos seguintes, ajudando a treinar pombos para guiar mísseis Pelicano, eles aprenderam mais do que tinham aprendido em todo o tempo em que estiveram em sala de aula. Eles se tornaram hábeis em shapping(“modelagem”), um processo em que você começa por recompensar um comportamento que o animal já oferece, e em seguida, sistematicamente reforça comportamentos que são cada vez mais próximos do comportamento que você deseja, usando o reforçador secundário ou bridging, como o som de um clicker ou apito. Quando o reforçador secundário é emparelhado com comida (reforçador primário) ele pode ser usado para dizer ao animal exatamente quando ele fez a coisa certa e que uma recompensa alimentar está a caminho. Estes conceitos eram totalmente novos na década de 1940.

Os dois perceberam o quão poderosas estas técnicas livres de força poderiam ser e decidiram que, assim que a guerra acabasse, entrariam em algum tipo de negócio em que usariam a tecnologia operante para ajudar a resolver problemas para os animais e, depois, seres humanos. Eles fundaram a Animal Behavior Enterprises (ABE), cuja missão era mostrar uma maneira melhor e científica de treinar de animais, de uma forma humana e usando o reforço positivo.

Durante 47 anos, a ABE produziu em massa animais treinados para o seu próprio parque temático, o IQ Zoo,em Hot Springs, Arkansas, bem como para shows em todo o país. No augeAdestramento e Treinamento de Animais da empresa, os Brelands estavam treinando 1.000 animais para empresas como a General Mills, que os usavam em comerciais e em conferências de vendas. Eles também trabalharam com comportamento animal e projetos de treinamento para grupos como a Marinha dos EUA e Purina, bem como para o parque aquático de Marineland, na Flórida e o zoológico interativo Jungle Island, Flórida, onde desenvolveram os primeiros dos hoje tradicionais shows de golfinhos e papagaios.

Em 1965, Bob Bailey, ex-diretor de treinamento da Marinha dos EUA e que vinha treinando com os Brelands há vários anos, foi contratado como treinador na ABE e diretor técnico assistente, e diretor de programas para o governo. Nesse mesmo ano, Keller Breland faleceu. Bob mais tarde se tornou o diretor de pesquisa e, em seguida, o vice-presidente executivo e gerente geral. Ele e Marian se casaram em 1976 e Marian assumiu o cargo de presidente da ABE.

Bob e Marian se aposentaram e fecharam a ABE em 1990, após 47 anos de atividade. Até aquele momento haviam treinado 140 espécies diferentes e um total de, pelo menos, 15.000 ou 16.000 animais. Ao transferir os métodos de treinamento, coleta e análise de dados aos animais fora dos laboratórios, Keller e Marian desenvolveram o campo da análise comportamental aplicada (que às vezes Bob chama de “tecnologia operante”). Esta tecnologia foi o que permitiu a ABE melhorar e treinar animais de forma rápida e confiável. Ninguém chegou nem perto deste nível e abrangência de treinamento, ainda que apenas os treinadores mais dedicados lembrem desta história.

Bob Bailey e Marian Keller2-  Marian, como você começou a se interessar por trabalhar com animais?

Marian: Quando criança eu era tremendamente interessada em animais. Eu também era, embora eu não soubesse disso na época, interessada no tratamento humano dado aos animais. Eu li Beleza Negra quando eu tinha cinco ou seis anos de idade e minha infância foi recheada de histórias de animais. Tentei convencer meu pai para nos mudarmos para uma fazenda para que pudéssemos ter alguns animais. Minha mãe permitia somente gatos em casa. Mas meu pai não conseguia ver-se mudando para uma fazenda, por isso não o fizemos. Mas eu era interessada [em animais].

3-  Como você se interessou em obter um doutorado em psicologia? Em 1940, poucas mulheres frequentavam faculdades, e muito menos obtiam graus avançados em ciências.

 Marian:Eu fui para a faculdade para estudar latim e grego, mas a faculdade me obrigava a fazer uma disciplina de ciência, o 

B. F. Skinner

que fiz relutante. Escolhi psicologia. Eu pensei que era a ciência menos dolorosa. Eu entrei em uma classe especial com B. F. Skinner. Ele havia escolhido apenas bons alunos para suas turmas, e como eu tinha várias notas “A”, eu entrei em sua turma de psicologia. Ele converteu a todos. Eu sei de pelo menos seis estudantes daquela turma que tiveram grande destaque [no campo da psicologia]. Ele era muito convincente e tinha algo de excitante em trabalhar com o assunto, por que era algo totalmente novo. E ele, claro, ensinou toda a classe com base em seu novo sistema operante. E então eu fiquei intimamente familiarizada com aquilo durante meus primeiros anos na faculdade. Eu me tornei uma aluna auxiliar de pesquisa no departamento de psicologia e, em seguida, estudante de pós-graduação de Skinner depois que me formei. Eu me graduei em psicologia, com uma especialização em psicologia infantil. Eu também estava namorando o meu primeiro marido, Keller Breland. Ele tornou-se um dos alunos de pós-graduação de Skinner também.    

4- Conte-me sobre o projeto de mísseis guiados por pombos que interrompeu seus estudos de pós-graduação durante a Segunda Guerra Mundial.

Adestramento e Treinamento de Animais 02Marian: Dr. Skinner veio com essa idéia porque ele queria contribuir com os esforços na guerra. Todos nós deixamos o departamento na universidade e fomos com ele nesse projeto, e nos tornamos assistentes de pesquisa. Fomos treinar pombos para essencialmente bicar uma tela de vidro na frente deles, e na tela os alvos eram projetados. Os alvos variavam de trilhos de trem a campos de pouso, coisas desse tipo que eram alvos de bombardeio. No início, a Marinha – eles eram a agência de fomento do governo – não tinham um míssil guiado. Então nós trabalhamos com os pombos.

 

5-  O projeto foi bem-sucedido?

Marian: Sim. Houve uma demonstração em Washington quando a Marinha disse que eles estavam prontos. E Dr. Skinner levou seis pombos para Washington com o aparelho em que tinham sido treinados, o que para todos os efeitos, era um cone que seria igual a um míssel guiado. E a demonstração foi com sucesso. Os pombos sabiam o que tinham que fazer. Eles tiveram bom desempenho. Os três pombos em cada cone eram apenas uma garantia para o caso de um animal falhar, mas nenhuma das aves falhou.

6- Assim, se um pombo ficasse doente, os outros ainda fariam o trabalho?

Marian: Sim, era essa a ideia. Agora, se todos os três de repente tivessem dor de cabeça, então não funcionaria.

7- A Marinha utilizou este sistema de pombos para guiar mísseis na guerra?

Marian: A Marinha encerrou o projeto por duas ou três razões. Em primeiro lugar, os juízes que estavam analisando o projeto – eram todos almirantes – sabiam que a bomba atômica estava em fase de conclusão. Eles também sabiam que quando ela fosse terminada, não haveria mais a necessidade de bombardeios em pontos específicos, pelo menos não naquela guerra.

Além disso, eles procuraram o sistema de orientação do míssel. Eles abriram a câmara e viram três pombos bicando um vidro. Isso causou-lhes vários minutos de descrença, eu diria. Mas não havia dúvida de que os pombos estavam fazendo o trabalho, e nós poderíamos ter um grande número de pombos. Já havia sido criada uma instalação para  que 25 a 40 pombos pudessem ser treinados ao mesmo tempo, por isso não haveria problema no fornecimento de lotes de aves.

8- Como você e Keller foram do treinamento de pombos para iniciar o seu próprio negócio com animais?

Keller e Marian Breland

Keller e Marian Breland

Marian: Durante o tempo em que estávamos trabalhando com pombos, o que Skinner mostrou-nos foi o “shapping” (o que nunca havia sido feito na pós-graduação, ele estava realizando experimentos ainda). Percebemos, então, como eram poderosas aquelas técnicas e decidimos ali mesmo que assim que acabasse a guerra, nós iríamos entrar em algum tipo de negócio que usassem estas ferramentas. Decidimos que não estávamos preparados para lidar com humanos ainda e percebemos que não iríamos terminar nossos doutorados. Então começamos a pensar em animais. O que poderíamos fazer? Em várias aulas havia sido mencionado que deveríamos entrar no treinamento dos cães. Nós compramos um monte de cachorros. Sabíamos que havia muitos cães no país e as pessoas sempre os querem treinados. Então pensei que seria moleza. Tínhamos apenas de dizer às pessoas sobre esta maneira nova e humana de treinamento e então nos procurariam aos milhares. Ninguém nos ouviu. As empresas de alimentos para cães não achavam que isso fosse novo. As pessoas tinham treinado cães por milhares de anos. Esse foi o tipo de recebimento que tivemos.

9- Quando a idéia dos cães falhou, o que vocês fizeram?

Marian: Mantivemos os nossos cães, mas abandonamos a idéia. Nós realmente procuramos alternativas. Nós tentamos todos os tipos de animais. Bem, talvez [outros] animais de estimação. Hamsters e periquitos por exemplo. Fizemos um pequeno “kit hamster” que tinha um equipamento em que os hamsters poderiam brincar e um pequeno alimentador que o hamster poderia obter pedacinhos de comida, e o mesmo para o periquito. Nós sempre utilizamos o bridging. Começamos a usar clickers com nossos primeiros cães.

10- Qual foi a sua primeira grande virada?

Marian: Nossa primeira grande virada  foi quando fomos para a General Mills. Eles estavam patrocinando o nosso projeto na Marinha, durante a guerra. Eles não tinham sistemas deAnimal Treinado - Adestrado subsídios regulares para pesquisa, na época. A Marinha contratou empresas civis, neste caso, contratou a General Mills para este projeto e todos os resultados que pudessem vir dele. Então, depois da guerra, conhecíamos algumas pessoas na General Mills e sabíamos que eles estavam no negócio de nutrição de animais de fazenda. Então Keller idealizou um pequeno show – aquele show com um frango – e foi lá para uma demonstração. [General Mills] queriam algo que eles pudessem usar em suas feiras para chamar a atenção do público para seus estandes. Começamos na parte norte do Centro-Oeste e espalhamos pelo Sul. Nós enviamos esses shows para todo o país, entretanto adicionamos mais animais e novos comportamentos. Nós não tivemos que ir junto com eles, treinamos os vendedores. O público adorou.                      

11- Quanto tempo vocês trabalharam com a General Mills?

Marian: Nós tivemos um contrato com a General Mills por dez anos.

12- Quais outros projetos a ABE trabalhou?

Marian: Começamos ramificando em todas as direções, mesmo antes de nosso contrato com a General Mills. Nós não poderíamos trabalhar com nenhuma outra empresa de alimentação, mas fizemos um monte de trabalhos para outros frequentadores de convenções, e para todos os tipos de convenções, que tinham começado a tornar-se um grande negócio, e ainda é. “Chamadores de atenção”. Um monte de empresas de diversas áreas queriam animais treinados para chamar atenção em eventos. United Refining Company, ExxonMobil , e um grande número de empresas queriam animais para suas convenções. Também fizemos um trabalho de pesquisa para a Quaker Oats Company sobre preferência de gosto e também identificação de sabores. Eles tinham encontrado um desafio ao tentar saber se gatos poderiam diferenciar um sabor de comida de gato do outro. Mas, rapaz, eles com certeza podem. Eles não só podem diferenciar dois sabores diferentes como também podem diferenciar diferentes lotes do mesmo sabor. As latas eram todas carimbadas com o número do lote e onde eram fabricadas. E eles poderiam dizer a diferença entre dois lotes separados apenas por algumas semanas feitos na mesma fábrica.

13- Quando vocês começaram o treinamento de golfinhos?

Treinando GolfinhosMarian: Nós fizemos o primeiro dos shows de golfinhos treinados com métodos científicos. Foi chamado Marine Studios na época e era no Marineland, Flórida, em 1955. Eles tinham “um golfinho e meio” treinado antes disso. Eles tinham um golfinho que fazia o show e um substituto parcialmente treinado. Seu treinador era um antigo treinador alemão de leões-marinhos. Ele trabalhou por dois anos treinando seu primeiro golfinho. O outro, ele estava trabalhando há 18 meses e não estava fazendo muito progresso. Ele treinou-os do jeito antigo, mas sem nenhuma punição. Se você fizesse isso com um leão-marinho, ele iria rolar-lhe para dentro do tanque e afogá-lo! Ele os treinou com peixes. Ele não sabia nada sobre shapping. Ele ensinou um golfinho a se virar e fazer uma “dança”. O golfinho saía com metade do corpo fora da água e se virava. Isso era o show – não era exatamente um espetáculo. Sua maneira de conseguir que o animal fizesse isso era ficar do lado da piscina, segurar um peixe sobre a cabeça, girar num círculo e dizer: “Vire”. Bob foi o único que realmente o viu treinando.

Bob: Originalmente o treinamento de animais era considerado magia negra, porque achavam que, se você pudesse controlar os animais, você poderia controlar o espírito humano. Adolph Frome era o nome desse treinador de golfinhos, ele era europeu e ninguém tinha permissão para vê-lo treinar. Ele era adepto dos antigos sistemas de guildas onde os segredos das profissões eram passados ​​exclusivamente de pai para filho. Apenas os treinadores “do alto escalão” poderiam vê-lo treinar, os treinadores comuns não podiam. Eles não queriam espalhar os segredos. Eu era da Marinha, eu não era concorrente e, portanto, foi-me permitido estar lá e vê-lo treinar. Eu tinha visto este treinamento do “vire” e quase morri tentando sufocar uma gargalhada. Eu via aquele agradável cavalheiro dizer: “Tuuuuurn” (“vire”), com um belo sotaque alemão enquanto segurava um peixe sobre a sua própria cabeça e ele mesmo girava. Isso era o que ele estava ensinando a seus alunos. Isso era parte do seu segredo. Vi uma série de sessões em que ele ensinava assim. Era até mais engraçado ainda vê-lo ensinando um golfinho como arremessar uma bola. Ele colocava a bola no seu próprio nariz e a jogava.

Frome estava com seus quase 70 anos, e chegando perto da aposentadoria. Eu me senti privilegiado por conversar com ele, porque ele era um dos treinadores das antigas. Ele fazia parte da história. Ele foi a primeira pessoa a realmente treinar um golfinho para shows nos EUA, então ele foi um pioneiro. Mas eu nunca treinei de outro modo a não ser o dos Breland.

Treinando Golfinhos 02Os Brelands começaram com o treinamento de golfinhos quando Frome saiu e um golfinho morreu. O golfinho treinado morreu e o Marineland, em Saint. Augustine, Flórida, contratou Keller para treinar o golfinho jovem. Adolph passou dois anos duros treinando um dos golfinho para fazer algumas coisas. Keller foi lá e em seis semanas tinha dois golfinhos fazendo todos os comportamentos que Adolph Frome passou dois anos tentando ensinar.

14- Marian, você e Keller publicaram vários artigos científicos famosos com base nos dados coletados na ABE. Como a comunidade científica recebeu-os?

Marian: O primeiro artigo foi feito em 1951. Em 1961 publicamos o “Misbehavior of Organisms” (“Mau Comportamento dos Organismos” em tradução livre). Foi quando meu primeiro marido ainda era vivo. O primeiro não causou muito mais do que alguns comentários. Eu acho que a maioria das pessoas no trabalho de campo leram e nós tivemos alguns jovens entusiasmados na psicologia dizendo: “Posso ir trabalhar com vocês?”

15- O seu artigo “Misbehavior of Organisms” cobriu um número de casos com diferentes espécies onde fortes comportamentos espécie-específicos interferiram com o processo de aprendizagem e causou atrasos no desempenho. Qual foi a resposta a este artigo?

Marian: A reação foi dramática. Espalhou-se não só aos analistas de comportamento, mas também para os biólogos, antropólogos e todos os tipos de pessoas o aproveitaram. Eles tinham sido apagados pela psicologia moderna e a idéia da psicologia na época parecia muito mecânica para eles. Eles não haviam sido familiarizados com o trabalho de Skinner, é claro. Então, nós tivemos dois tipos de reações. Uma foi dos psicólogos que estavam esperando que as pessoas encontrassem as diferenças entre as espécies. Tivemos uma área de psicologia comparativa, mas havia sido completamente perdida. Ratos e pombos eram as únicas coisas que eles estavam usando. E assim os psicólogos naquela época não sabiam nada sobre diferenças entre as espécies. Um número de psicólogos e biólogos estavam esperando por este desenvolvimento nessa área. Já os analistas do comportamento, um monte deles, tomou o caminho errado. Acho que o meu primeiro marido era muito franco e provavelmente disse algumas coisas que algumas pessoas entenderam do jeito errado. Isso não quis dizer que estávamos abandonando o condicionamento operante ou análise de comportamento, ele só quis dizer que as pessoas precisavam olhar para esses outros animais e ver o que eles estão fazendo, porque as pessoas tinham esquecido de como fazer isso. Mas de qualquer maneira, tivemos uma reação muito positiva dos outros psicólogos, biólogos e antropólogos, e outros grupos como esses que estavam interessados ​​em diferenças entre as espécies e diferenças biológicas em geral. E assim, essa parte foi muito gratificante. E então tivemos toda essa crítica dos analistas de comportamento que pensavam que estávamos abandonando a análise de comportamento. Mas nós continuamos ganhando a nossa vida. O próprio Skinner achou isso também, mas fizemos as pazes com ele depois.

16- Como é que o seu trabalho ajudou em programas humanos?

Treinamento de Golfinho 001Marian: Oh, bem, na verdade eu não fiz muito disso. Eu estava envolvida com o desenvolvimento de treinamento de assistentes de enfermaria em instituições para pessoas deficientes mentais severos ou portadores de deficiência mental (retardo mental, como era conhecido naquela época). Essas pessoas eram apenas “armazenadas” antes desse programa. Eles não tinham treinamento de toalete. Eles não podiam se alimentar. Eles não podiam vestir-se ou despir-se. Eles só eram amontoados em uma sala grande e deixavam os atendentes da ala enlouquecidos durante todo o dia. Era essencialmente assim. Então, meu marido, eu e Ken Burgess desenvolvemos um programa de treinamento para os atendentes da ala para que usassem técnicas operantes com essas crianças e funcionou lindamente. Na verdade, essas são as técnicas padrão utilizadas nas instituições hoje. Mas não fui eu que começou tudo isso. Havia três ou quatro de nós em diferentes lugares na mesma época que estava trabalhando com crianças [deficientes mentais] e métodos para ensinar-lhes. Então foi um ótimo movimento para as crianças e os atendentes da ala. Eles ainda usam estas técnicas na instituição. Levou as crianças para fora das enfermarias. Alguns deles são adultos agora, e foram colocados em casas. É realmente uma mudança fantástica.

17- Você finalmente conseguiu seu doutorado?

Marian: Depois de muitos anos, percebemos enquanto o meu primeiro marido era vivo que um de nós precisaria obter um doutorado para voltar para o mundo acadêmico. Meu marido me disse que seria eu a fazê-lo. “Não serei eu!” disse ele. Ele não concordava muito com o mundo acadêmico. Mas eu não fiz nada sobre isso por um longo tempo, porque eu era muito ocupada e ainda tinha três filhos. Em 1967 voltei para a Universidade do Arkansas, a 320 quilômetros de distância. O que eu fazia era ir lá dois ou três dias por semana e ter aulas. E eu tive que rever tudo por que estava muito enferrujada. Eu descobri que eles tinham mudado um pouco, então eu tive que me re-familiarizar com o campo. Como eu fazia apenas em meio período, isso se arrastou e eu não recebi meu doutorado até 1978 (11 anos do início ao fim). Isso foi tipo um recorde desde que deixei meu doutorado em 1942 (36 anos desde que saí a primeira vez). Eles foram ficando umTreinamento de Golfinho 003 pouco cansados de mim, eu acho.

AGUARDE: EM BREVE A 2ª PARTE DA ENTREVISTA!!!

Texto Original extraido do site da Drª  Sophia Yin

TRADUÇÃO: Thaís Rodrigues Dos Santos – Adestradora de Cães

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